Características de um
verdadeiro profeta
Pr. João A. de Souza Filho
O ministério profético tem de ter uma vitalidade positiva, isto é, o
profeta precisa enxergar uma saída gloriosa, ainda que veja tudo
nebuloso à sua frente. Por que digo isto? Porque se percebe que muitos
que dizem ter ministério profético se tornam azedos, amargos e negativos
em sua proclamação, e os sites na Internet são evidências do que quero
afirmar. As críticas amargas indicam que a pessoa que julga ter um
ministério profético não conseguiu visualizar nem perceber a essência do
coração de Deus que é a restauração do homem e a vinda de um reino
glorioso.
Sim, porque os profetas bíblicos que previram destruição, abandono,
cativeiro e guerras sempre abriram diante de seus ouvintes uma fresta
que os permitia vislumbrar a solução e a restauração. O Deus que fere é
apresentado como o Deus que cura.
O profeta anuncia alguma coisa e o que ele prevê acontece. Seja este um
profeta de Deus, um profeta que profetiza por si mesmo ou um profeta do
diabo. Nas escrituras encontramos profetas que usavam destas três
fontes: a divinal, a pessoal e a diabólica. E mesmo os profetas que nada
tinham a ver com Deus e suas palavras fizeram previsões que aconteceram
ao longo dos séculos, mas, o que diferencia um profeta comum de um
profeta de Deus? Profetas existiram que anunciaram acontecimentos que se
cumpriram, e, no entanto, não eram profetas de Deus. O que diferencia um
profeta de Deus, então, desses profetas mundanos?
1. O profeta que fala da parte de Deus tem um profundo senso de justiça
social. A paixão pela justiça social mantinha o profeta de Deus atento
às necessidades das pessoas. Os profetas de hoje que pensam apenas em si
mesmos, em prosperidade, riquezas, em serem milionários e prósperos,
ainda que falem da parte de Deus, não são verdadeiros profetas porque
perderam de vista a justiça social. O pobre, o injustiçado, o sofredor,
o perseguido, o sem-terra, o sem-teto e aqueles que são vítimas dos
sistemas políticos e judiciais precisam ser acolhidos na igreja e
defendidos pelo verdadeiro profeta. O verdadeiro profeta não consegue
ser amigo de políticos, de governadores e do Presidente da República,
porque sempre encontrará pontos divergentes entre a política e a justiça
social.
2. O verdadeiro profeta tem sempre em mente o eterno propósito de Deus.
Sempre que adverte uma nação ou uma igreja ele o faz sob a ótica do
propósito eterno de Deus, e não sob a ótica dos interesses humanos,
denominacionais ou políticos. E se prepara para o choque, porque a
mensagem de Deus sempre bate de frente com o interesse dos homens. Sua
palavra está sempre alinhada com o plano do Eterno e não com os planos
dos homens.
3. O profeta de Deus sabe que a graça de Deus tem como finalidade a
justiça. Isto é, Deus se mostra gracioso para com o ser humano sem abrir
mão da justiça que lhe é inerente. Graça e justiça andam de mãos dadas
com o otimismo profético.
4. O verdadeiro profeta sabe que Deus não favorece apenas judeus, mas
todos os povos de todas as nações. Por isso nos cânticos do Apocalipse
Jesus é exaltado por gente que procede de todas as línguas, povos tribos
e nações, e não apenas judeus. O profeta que defende apenas interesses
dos judeus não é profeta bíblico, porque o verdadeiro profeta vê Deus
reinando sobre todos os povos da terra, independente de cor, raça e
nação.
5. O profeta de Deus é sempre otimista e, às vezes esse otimismo
profético o leva a cometer exageros, a errar em algumas previsões, sem
nunca, no entanto, abandonar sua comunhão com Deus e a verdade. Ele
sempre vê o futuro glorioso, e isto fazia a diferença entre os profetas
hebreus e os profetas das nações da época. Deus tem um fim glorioso para
o planeta Terra e tem um fim glorioso para toda a humanidade e seu senso
de justiça é que o impele a revelar sua graça e sua misericórdia.
Os “nãos” que Habacuque recebeu de Deus dariam a ele razões de sobra
para se sentir amargo e desanimado, no entanto, depois de tantas
respostas negativas de Deus às suas perguntas Habacuque não enxerga o
futuro sob a ótica do pessimismo, mas vê o sol da esperança brilhar no
horizonte.
“Ainda que as figueiras não produzam frutas, e as parreiras não dêem
uvas; ainda que não haja azeitonas para apanhar nem trigo para colher;
ainda que não haja mais ovelhas nos campos nem gado nos currais, mesmo
assim eu darei graças ao Senhor e louvarei a Deus, o meu Salvador. O
Senhor Deus é a minha força. Ele torna o meu andar firme como o de uma
corça e me leva para as montanhas, onde estarei seguro” (Hc 3.17-19)
O profeta denuncia, mas prova com seu viver e com seu testemunho de vida
que suas denúncias não são retóricas nem teóricas, mas fruto da
revelação que tem de Deus.
Você anela o ministério profético? Então, pense na vida de renúncia que
a espera pela frente.
Pastor João A. de Souza Filho
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