
Cicatrizes
Cláudia Helena
Se por um lado, algumas cicatrizes nos causam aversão, por outro nos
causam interesse. As primeiras impressões que temos ao olhar uma
cicatriz são sobre quem a carrega. Logo pensamos que se trata de um
sobrevivente. Depois, duas perguntas nos vêm à mente: O que causou?
Quanto dor aquele ferimento trouxe? São questionamentos comuns. No
entanto, uma cicatriz pode nos revelar muito mais.
Não podemos imaginar um grande guerreiro que não as carregue. Cada marca
no corpo traz em si o histórico de uma batalha. Uma coisa é certa, se
você é um lutador colecionará muita delas.
De acordo com o dicionário, cicatriz é vestígio que deixa uma ferida
depois de curada ou vestígios deixados na haste pelas folhas ou ramos
que caíram. Muitos cristãos valorosos carregam na alma algumas
cicatrizes, porém muitos deles teimam em esconder essas marcas. Não sei
por que carga d’agua surgiu essa idéia, no meio da Igreja, de que somos
super-crentes.
Não queremos falar de nossas fraquezas. Dizemos a todo o momento que
gostaríamos de ser como os grandes “heróis” da Bíblia, assim como Paulo
ou Davi. No entanto, na prática, queremos esconder o que nos faz parecer
com eles. Na carta que Paulo escreveu aos Romanos ele declarou:
"Não me gloriarei eu, senão das minhas fraquezas... E, para que não me
exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na
carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de
não me exaltar.” (Rm 12.5,7)
Não só nessa passagem, mas em muitas outras, Paulo declara sua fraqueza.
No mesmo capítulo, ele diz que orou por três vezes para que a sua
fraqueza fosse retirada e o Pai assim respondeu: “E disse-me : a minha
graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” Ao que
Paulo responde: “De boa vontade pois, me gloriares nas minhas fraquezas,
para que em mim habite o poder de Cristo.”
É preciso compreender a importância dessa revelação na Palavra de Deus.
Quando Deus diz “a minha graça te basta”, Ele não estava dizendo:
“conviva com suas fraquezas, isso não pode ser resolvido”. Ao contrario,
reside nessa declaração a certeza de que somos capazes, por meio da
graça remidora do Pai, de superar nossas fraquezas. Deus nos deu, em
Cristo Jesus, tudo o que precisamos para vencer os ardis de Satanás. O
nosso Pai é um grande restaurador. As marcas do inimigo, em nós, só
serão vistas se nós as expusermos, pois Deus é um cavalheiro, não sai
por ai "contando vantagens". No entanto, quando nos expomos e contamos
nossas fraquezas, glorificamos Aquele que nos restaurou.
Mas, quando uma ferida se torna cicatriz? Quando ela está curada, ou
seja, quando não dói mais. Se você ainda não consegue deixar que
“toquem” em suas marcas, é porque elas ainda não foram curadas. Mas há
uma boa notícia para você: Deus ainda opera hoje, se entregue nas mãos
d’Ele.
“Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente
brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, e a glória do Senhor
será a tua retaguarda.” (Is 58.8).
Jesus levou sobre si, na cruz do Calvário, as nossas dores. Não só as
dores físicas, mas também as emocionais. Receba a cura do Senhor Jesus!
Deixe que Ele remova as feridas, e depois da cura glorifique aquele que
te curou revelando a cicatriz e dando o endereço do médico. Então: “Ele
verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu
Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as
iniqüidades deles levará sobre si.”
Lembre-se: “Quando sou fraco, ai é que sou forte.”
