
C. S. Lewis e a igreja
C. S. Lewis freqüentou a mesma igrejinha durante trinta anos. A
experiência não tinha nada de extraordinário a cada semana. A maior
parte daqueles anos Lewis não se importava muito com os sermões; ele até
mesmo sentava-se atrás de um pilar para que o ministro não visse suas
expressões faciais.
Ele ia ao culto sem música porque não gostava dos hinos. E saía logo
após a comunhão da Ceia provavelmente porque não gostava de se envolver
nas conversas com os outros membros depois do culto.
Mas a longa obediência numa mesma direção moldou a vida de Lewis de um
modo que nada mais poderia. Uma vez perguntaram para Lewis: “É
necessário freqüentar um culto ou ser membro de uma comunidade cristã
para um modo cristão de vida?”
Sua resposta foi a seguinte:
“Esta é uma pergunta que eu não posso responder. Minha própria
experiência é que logo que eu me tornei um cristão, cerca de quatorze
anos atrás, eu pensava que poderia me virar sozinho, me retirando a meu
quarto e lendo teologia, e não freqüentava igrejas ou estudos bíblicos;
e então mais tarde eu descobri que era o único modo de você agitar sua
bandeira; e, naturalmente, eu descobri que isso significava ser um alvo.
É extraordinário o quão inconveniente para sua família é você ter que
acordar cedo para ir à igreja. Não importa tanto se você tem que acordar
cedo para qualquer outra coisa, mas se você acorda cedo para ir à igreja
é algo egoísta de sua parte e você irrita todos na casa. Se há qualquer
coisa no ensinamento do Novo Testamento que é na natureza de mandamento,
é que você é obrigado a participar do Sacramento e você não pode fazer
isso sem ir à igreja. Eu não gostava muito dos seus hinos, os quais eu
considerava poemas de quinta categoria com música de sexta categoria.
Mas à medida em que eu ia eu vi o grande mérito disso. Eu me vi diante
de pessoas diferentes de aparência e educação diferentes, e meu conceito
gradualmente começou a se desfazer. Eu percebi que os hinos (os quais
eram apenas música de sexta categoria) eram, no entanto, cantados com
tamanha devoção e entrega por um velho santo calçando botas de borracha
no banco ao lado, e então você percebe que você não está apto sequer
para limpar aquelas botas. Isso o liberta de seu conceito solitário.”
(C. S. Lewis, God in the Dock, pp 61-62)
